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      moda Olivia Meza 19 mayo 2017

      jean paul gaultier em américa latina: méxico e sua cor

      Durante a sua estada no México, Jean Paul Gaultier mostrou a sua mais recente coleção de Haute Couture, cercado por lutadores, mariachis e cor. Tomamos esta viagem para falar sobre a importância de sua presença na América Latina e a relevância do seu trabalho na história da moda.

      Quando abrimos um livro sobre a História da Moda não pode faltar um capítulo dedicado a Jean Paul Gaultier, o estilista francês, que nos finais dos anos 70, nos abriu a mente com a sua coleção début e alimentou a sua inspiração diretamente do estilo das ruas, mais conhecido como street art. Audacioso no desenho e artista lírico, ganhou o titulo de l'enfant terrible: esse homem que foi no sentido contrário à sofisticação e tendências sem sentido dos anos oitenta até hoje.

      A sua expressão divertida e controversa, sempre se destacou durante as agendas das Semanas de Moda e, obviamente, da Haute Couture. Jean Paul Gaultier foi a ruptura necessária que devolveu vida, dinamismo e criatividade a uma alta costura francesa já velha e tradicionalista. Sim, foi o primeiro a usar a ganga, as saias de homem, a roupa interior por fora e os castings ricos em etnias e tamanhos, numa passarela de alta costura.

      A visão multicultural de Gaultier fazia com que qualquer um se sentisse identificado vendo um desenho seu. Esta inspiração no quotidiano exemplifica o extraordinário que existia nele e que muitos poucos conseguiam perceber ou traduzir num outfit. A roupa em si sempre foi a maior fonte criativa de Gautier, não obstante, a sua sede de percorrer o mundo de maneira quase educativa permitiu-lhe criar incríveis imaginários sobre culturas ancestrais e populares de países como o Brasil, a Argentina e obviamente, o México.

      A Europa, de alguma maneira, Gaultier passou-a para segundo plano para poder desempenhar o papel de agente cultural que se centrava nas pessoas, nos seus costumes e ideologias e que representou magnificamente em fatos que pareciam chegar do ring da Arena México, ou conjuntos bordados com caveiras sorridentes que tanto se vêm em Mixquic no Dia dos Mortos, por exemplo.

      Gaultier esteve sempre apaixonado pelo México, pelo mundo. Plantou, de uma maneira significativamente intuitiva, um novo panorama de pensar e vestir a moda: não só através do corpete cónico que desenhou para a Madonna como também na homenagem que um criador e porta-voz da Moda faz à mesma mediante o que o rodeia. Um estilista preocupado e atualizado na forma de relacionar-se com a sua cultura e conhecer a fundo as suas variantes tem o direito de interpretar - tal como o faz um artista - as suas expressões mais criativas.

      As contribuições visuais e investigação de Gaultier à moda e aos seus artistas são imensas, tantas que seria impossível resumi-las num só texto. No entanto, deve-se destacar que a sua assinatura hoje em dia está mais viva que nunca. Desde o ano passado, fez uma tournée pela América Latina - #JPGLovesLatinamerica - para fortalecer os laços com os países que lhe deram tantos momentos mágicos para criar as suas coleções. O México não foi exceção e apresentou, no emblemático Hotel de la Ciudad de México, uma seleção inspirada no nosso país, das suas coleções Pret-a-porter SS 2015 e Haute Couture SS 2010.

      A luta livre, o passado muralista mexicano, Frida Kahlo e o seu estilo impossível de imitar, os mortos que renascem para se divertirem... são exemplos do que o Monsieur Gaultier apresentou nesta colorida gala no antigo hotel. Apresentadas em Paris anteriormente, JPG entregou uma magnífica experiência sobre a sua perspetiva cultural do México, na qual imprimiu, de forma exemplar, não só as tradições mas também o valor estético e a fantasia de cada uma através das suas coleções.

      Pouco tempo depois, Gaultier e a sua equipa montaram, numa galeria de arte na Cidade do México, uma memorável apresentação privada só para clientes, em forma de pop up store, onde se podiam encontrar os looks de Haute Couture 2016-2107. Esta coleção foi um sonho multicultural, inspirada na natureza e no simbolismo que esta tem no Japão. Monsieur Gaultier tinha feito uma viagem à ilha asiática e impregnou-se de formas e texturas orgânicas provenientes dos seus bosques ao estilo dramático que discutia implicitamente com a incrível e ampla bagagem cultural do couturier na atualidade sem cair em statements tendenciosos.

      Jean Paul Gaultier tem sido um ator principal na forma de criar conceitos a partir da observação. A sua magnífica habilidade de absorver, analisar e traduzir o que vê num outfit é um grande exemplo de por que é que as referências culturais são uma constante lembrança de que temos de abraçar a nossa identidade e abrir-nos a outras maneiras de pensar.

      As distinguidas coleções de Gautier durante quase 40 anos de trajetória despertaram o interesse e o incrédulo no que diz respeito ao dramatismo e à fantasia da moda num contexto muito mais familiar. A sua roupa sempre comunicou esta interação entre o teatro, a arte e a moda: todas elas disciplinas altamente emocionais. Nesta recente passagem pelo México, Jean Paul Gaultier deixou-nos a tarefa de que é necessário voltar a ler as nossas páginas, buscar o passado para resolver velhos conflitos e ser adepto da criação no seu nível mais puro, consciente, contestatário e sobretudo apaixonante.

      #JPGLOVESLATINAMERICA 

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      Temas:moda, jean paul gaultier, jpg in latinamerica

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